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Festa Comes e Bebes
0 16.03.2017
Espumante para casamentos, como escolher?

Com a ajuda do expert José Matos da JMatos Bebidas trouxemos uma matéria incrível pra quem esta na dúvida ou não sabe por onde começar na escolha das bebidas da festa.

Primeiramente é importante destacar que o termo espumante pode ser utilizado apenas para descrever vinhos cuja efervescência seja resultado de uma fermentação alcoólica realizada em recipiente fechado e controlado. 

Rara algumas exceções, a produção de um espumante é dividida em duas fases:  
A primeira é a fermentação alcoólica, que converte o açúcar das uvas em álcool.  É nesta fase que ocorre a vinificação do vinho base, que transforma o mosto/sumo de uva em vinho tranquilo. 
A segunda fermentação é responsável pela espumantização, onde acontece a transformação dos açucares em CO2.  Nesta fase, ocorre a famosa autólise, a decomposição das leveduras, que geram a intensificação de aromas, cremosidade da espuma, além da integração da perlage (borbulhas) ao vinho. 

Será nessa etapa que os métodos irão se diferenciar:

Champenoise, Tradicional, Clássico ou Cap Classique:  a segunda fermentação ocorre exclusivamente dentro da própria garrafa em um processo mais lento, promovendo maior complexidade, estrutura e cremosidade ao vinho espumante. 
 
Charmat ou Tank:  a segunda fermentação acontece em tanques de aço inoxidáveis hermeticamente fechados em um processo mecânico. Um método mais em conta e muito mais rápido, o que justifica sua maior acessibilidade. O processo feito de maneira inadequada pode prejudicar drasticamente a qualidade das perlages deste vinho espumante. Espumantes produzidos através desse método são mais frescos e leves, o ideal é apreciá-los ainda jovens. 
 
Transferência ou Tranfer: esse processo é uma variação dos dois principais métodos de produção, já citados acima. A segunda fermentação, assim como no método champenoise também ocorre dentro da própria garrafa, porém após um determinado período de autólise (decomposição das leveduras), os vinhos são retirados das garrafas e transferidos diretamente para tanques de aço inoxidáveis. Daí em diante, tudo evolui isobaricamente como no método charmat. Sendo assim, esta é uma forma mais rápida e econômica de produzir espumantes de qualidade comparada ao método champenoise.
 
Contínuo ou Russo: esse processo é similar ao tank, quase um chamat curto. É utilizado para produção de espumantes em larga escala, mais despretensiosos. De maneira muito ágil, todo processo é feito isobaricamente em vários tanques de aço inoxidáveis de forma ininterrupta.  

Ancestral ou Rurale: acredita-se que este é o método que acidentalmente originou o vinho espumante. Ele consiste na menor intervenção possível do homem. Nele o mosto/sumo é engarrafado antes de sua total fermentação, gerada naturalmente por leveduras da própria fruta. Neste processo a temperatura deve ser totalmente controlada para que assim, a fermentação avance na garrafa e os açúcares sejam totalmente transformados em álcool, preservando também, o gás carbônico gerado nesta fermentação. Os sedimentos/borras deste processo permanecem na garrafa, o que pede maior cuidado ao servir o espumante. 
 
Gaillacoise: este processo é muito similar ao ancestral, porém é mais raro. O que difere é a expulsão dos sedimentos e um novo arrolhamento da garrafa. Este vinho espumante adocicado, frutado e de aroma muito delicado. 
 
Asti, Dioise ou Martinotti: este processo consiste em uma única fermentação que ocorre em tanques de aço inoxidáveis. Nele, desde o inicio da fermentação, o gás carbônico gerado é aprisionado. Quando o volume alcoólico chega a 6% (podendo chegar até e 9%), a fermentação é interrompida, preservando assim, boa parte do açúcar natural da uva, além de uma gaseificação/efervescência menor, mais delicada ao espumante. 
 
Exceto alguns métodos, no final da produção com o vinho fermentado e já espumoso, ele recebe uma mistura/solução chamada Liqueur d'expedition, responsável pela graduação de açúcar do produto, desta forma, será enfim, definida a classificação do espumante como: Nature, Brut, Extra brut, Extra seco ou Extra dry, Seco, Demi sec ou Semi-Sec, Dulce, Doce ou Doux – do mais seco ao mais doce. 

Desta forma podemos afirmar que um “champagne” não é mais caro simplesmente pela sua região de origem, mas sim, pela complexidade de seu método de produção que exige comprometimento com alto padrão de qualidade (e com conselho regulador), que somente é possível através de mão de obra qualificada. Além disso, seu longo tempo de amadurecimento na adega antes da distribuição e comercialização afeta diretamente o seu custo.  
Repare, Cremant, Franciacorta, Cava, Sekt, Prosecco, Moscatel são todos espumantes, mas seus processos e denominações de origem interferem diretamente em seu preço final. Em contrapartida os espumantes nacionais possuem custo-benefício incrível, pois nosso terroir favorece totalmente a elaboração de espumantes de qualidade, inclusive em diversos métodos de produção, como tradicional, tank, asti, entre outros.
As regiões de Pinto Bandeira, Vale do Vinhedos, Campanha Gaúcha, São Joaquim e Vale do São Francisco encontram-se os melhores rótulos brasileiros que já são reconhecidos, respeitados e premiados e internacionalmente.

ESPUMANTES
É um vinho intranquilo, ou seja, gasoso, que passou por espumatização. Na realidade esta é denominação genérica de vinhos onde as perlages (bolhas, gases de dióxido de carbono) ficaram retidas no vinho pelo seu processo de fermentação natural (ou induzido), através de alguns métodos de produção, como:  Champenoise (Tradicional ou Clássico), Transferência (Transfer), Charmat (Tank), Asti (Dioise ou Martinotti), Ancestral, entre outros.  
O termo espumante não possui denominação de origem e é utilizado em todo mundo para descrever esse tipo de vinho. 
Obrigatoriamente o espumante deve formar sua perlage através de fermentação natural e não poderá sofrer adição de anidrido carbônico, em caso negativo será descrito como um vinho frisante.  
 
Alguns rótulos de exemplo de espumantes:


Espumante Cave Geisse Brut


Espumante DOC DUO Premier Rose Brut

CHAMPAGNE
É um vinho espumante francês produzido pelo método Champenoise somente na região de Champagne em Épernay, nordeste da França.  
Este vinho possui a mais rigorosa denominação de origem utilizada na França. Super conceituado, deve seguir normas de produção muito estritas, definidas por decreto para sua região. Através de legislação são controlados rendimentos, graduação alcoólica, envelhecimento, delimitação de terroir e uvas, entre outros.  
O Champagne é obrigatoriamente produzido à base de apenas de 3 variedades de uvas, são elas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier. 
 
Alguns rótulos de exemplo de champagne:


Champagne Moet & Chandon Imperial Brut 


Champagne Armand de Brignac Brut Gold 

CREMANT
d'Alsace, de Bordeaux, de Bourgogne, de Die, du Jura,de Limoux, de Loire  
É um vinho espumante francês produzido pelo método Traditionelle (ou Champenoise) fora da região de Champagne.  
O termo "crémant" foi originalmente utilizado para chamar espumantes com menor pressão que o comum das champagnes, formando assim, uma espuma leve, cremosa.   
Existem sete apelações com denominação de origem protegida (AOC) para Crémants na França e assim como os Champagnes, devem respeitar decretos e legislações específicas para sua região. 
 
Confira abaixo as variedades de uvas autorizadas para composição de cada Créman:

Crémant d’Alsace*: Pinot Blanc, Pinot Gris, Riesling, Auxerrois e Chardonnay. Já os rosès costumam ser 100% Pinot Noir.
Crémant de Bourgogne: Chardonnay, Pinot Noir. Eventualmente P. Gris, P. Blanc, Aligoté, Gamay, Melon de Bourgogne e Sacy.
Crémant de Loire: Chenin Blan, Chardonnay, Cabernet Franc. E eventualmente Gamay e Pinot Noir.
Crémant de Limoux: Chenin Blanc, Chardonnay, Mauzac e Pinot.
Crémant du Jura: Chardonnay e Savagnin. Pinot Noir, Poulsard e Trousseau no caso dos rosès e demais variedades.
Crémant de Bordeaux: Sémillon e Sauvignon Blanc. E Cabernets, Merlot, Petit Verdot, Carmenere e Côt para rosès.
Crémant de Die: Clairette Blanche, Muscat Blanc à Petits Grains e Aligoté.
* Crémant d’Alsace é o Crémant mais conhecido na França, representando quase a metade da produção dos espumantes franceses.

Alguns rótulos de exemplo de cremant:


Crémant d'Alsace Chardonnay Dopff au Moulin Brut 


Crémant de Loire Carte Turquoise Domaine Baumard Brut 

CLASSICO
Franciacorta, Oltrepo e Trento.
Franciacorta é um vinho espumante italiano DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) elaborado pelo método clássico, produzido a partir de uvas cultivadas dentro nas colinas da província de Brescia, na Lombardia.   
A Franciacorta significa Corte à Francesa, em italiano. Sua região é famosa por elaborar os melhores espumantes do mundo fora da região de Champagne e tem produção bem limitada, cerca de menos de 5% que sua rival francesa.

As uvas mais cultivadas na região são Chardonnay, Pinot Noir e  Pinot Blanc, e são divididas em três categorias:
a) Franciacorta Tradicional: Chardonnay e Pinot Noir e envelhece por pelo menos 18 meses;
b) Franciacorta Satèn*: Equivalente a blanc des blancs, utiliza Chardonnay e Pinot Blanc e envelhece por pelo menos 24 meses;  
c) Franciacorta Rosé: utiliza mais de 25% de Pinot Noir e cerca de 50% de Pinot Blanc com Chardonnay. 
*Satèn: vem de seda, cetim, pois remete a delicadeza. Leves, possuem menos gás carbônico, produzidos somente com uvas brancas. 
 
No geral, Franciacorta é um espumante extremamente longevo, elegante e de bom potencial de guarda.  

Alguns rótulos de exemplo clássico:



Franciacorta Opera VSQ Franciacorta Le Marchesini


Franciacorta Cuvée Annamaria Clementi  Cà del Bosco 

CAVA
É o espumante mais consumido no mundo, considerado o ‘’champagne da Espanha’’.  
Cava é um vinho espumante espanhol produzido pelo método tradicional, sendo a região de Penedès responsável por 75% de sua produção.   Assim, como os demais espumantes citados acima, a Cava também possui DO (Denominación de Origen) e segue decretos e legislações específicos para sua produção. As 7 regiões produtoras de cava são: Catalunha, Aragão, Navarra, Extremadura, Rioja,  Álava e Valência. 
A cava tradicional é produzida à base das variedades de uva: Macabeo (Viura), Xare-lo e Parrelada.  Eventualmente Garnacha, Monastrell, Chardonnay e Pinot Noir no caso dos Rosados. 

Alguns rótulos de exemplo de cava:


Cava Codorniu Classico Brut 


Cava Segura Viudas Reserva Heredad Brut 

SEKT
É um vinho espumante alemão produzido pelo método Tradicional (Champenoise), Transferência ou Tank (Charmat), em casos de produções de maior volume. A Alemanha está entre os países que mais consomem espumantes no mundo. Possui denominações e classificações legais complexas e ainda por cima em alemão, o que não ajuda a popularização do Sekt no resto do mundo.   
Para tentar se aventurar no mundo dos Sekts sem saber alemão é importante ter essa "colinha" em mãos para tentar entender um pouco o que diz o rótulo:  

Deutscher Sekt: 100% das uvas produzidas devem vir de vinhedos alemães.  
Sekt b.A. ou Qualitätsschaumwein b.A: No mínimo 85% das uvas devem vir de uma região determinada da Alemanha. 
Winzersekt ou Premium Sekt b.A: 100% das uvas produzidas em vinhedos próprios. Obrigatoriamente pelo método Tradicional.  
Riesling Sekt: Significa que essa é a variedade de uva (Riesling) é responsável por pelo menos 85% do espumante.  
Spätburgunder: É um Sekt com a uva Pinot Noir.  
Weissherbst: É um Sekt Rosé ou Tinto. 
 

Outra dica interessante é buscar através da uva predominante no espumante suas maiores características no vinho:  
Riesling ou Elbling: Acidez mais acentuada.  
Silvaner ou Kerner: Mais neutros e com aromas delicados.
Weissburgunder (Pinot Blanc) e Pinot Grigio (Grauburgunder): Mais encorpados.  Huxelrebe, Morio-Muskat e Gewürztraminer: Mais aromáticos.  
Espumantes rotulados como Perlwein não são Sekts. Na realidade Perlwein é um termo em alemão que identifica outro tipo de espumante menos gaseificado, o frisante.
 

Alguns rótulos de exemplo de sekts:


Espumante Franz Künstler Riesling Sekt Trocken


Espumante Von Bühl Sekt Spätburgunder

PROSECCO
É um vinho espumante originalmente italiano produzido pelo método charmat (ou tank) a partir da uva Glera, tradicional do Vêneto.  
O termo Prosecco vem do nome anterior da popular uva Glera, estrela desse espumante. As regiões de Conegliano e Valdobbiadene são Superiore, onde essa melhor se desenvolve. Mas ainda é muito comum à produção de Prosecco fora da Itália, inclusive no Brasil.  
Desde meados de 2009 as normas e regras de produção vêm passando por mudanças, mas o que é importante destacar é que de acordo com a legislação em vigor, os espumantes devem levar obrigatoriamente pelo menos 85% de Glera para serem chamados de Prosecco. 

Alguns rótulos de exemplo de prosecco:


Prosecco Lunar Perfetto Brut 


Crede Prosecco di Valdobbiadene “Bisol” Brut 

MOSCATEL 
É um vinho espumante adocicado produzido pelo método asti a partir da uva moscato.  
Assim como ocorre com Champagne, a palavra Asti somente pode ser usada em vinhos espumantes produzidos na DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita) da região de Piemonte, Itália. O espumante moscatel mais conhecido no mundo é o Asti Spumante, regulamentado por uma DOCG, respeitando regras e legislações específicas para sua produção.  
No Brasil, a maior parte do cultivo de uva moscato é para produção de espumantes. As variedades mais utilizadas são Moscato Branco, o Moscato Itália e o Moscato Giallo. É no Rio Grande do Sul que se encontram os moscateis de maior prestigio e reconhecimento internacional - super aromáticos, possuem agradável doçura que equilibra perfeitamente com a acidez natural da uva.  

Alguns rótulos de exemplo de moscatel:


Moscatel Lunar Celebrare 


Moscatel Cave Amadeu

FRISANTE
É um vinho gaseificado naturalmente ou artificialmente através da adição de anidrido carbônico, os rótulos mais populares são produzidos a partir da uva Lambrusco, tradicional da região de Emília-Romana, na Itália.   
Apresenta quantidade menor de gás quando comparado ao espumante, por esse motivo é comum encontrar marcas nacionais com garrafas mais finas e com tampa screw cap, sem rolha.  
Em meados dos anos 2000 foram os "queridinhos" dos casamentos do Brasil, mas hoje, não apresentam mais um bom custobenefício, perdendo espaço para os moscateis, proseccos e espumantes demi-secs.  
No geral, são vinhos mais simples, despretensiosos e de consumo rápido (no máximo 2 anos). 

Alguns rótulos de exemplo de fristante:


Frizante Lambrusco Parma 1958 Amabile Dell'Emilia Branco 


Frizante Lambrusco Cella Amabille Dell Emilia Branco 

Todos esses rótulos são facilmente encontrados na JMatos 
Vai casar? Marque sua degustação e encante-se pelo fascinante mundo dos espumantes!

Eu amo!

JMatos Bebidas
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